Crianças não fazem birra!

2016-02-15_1649A nossa cultura nos ensinou a ver as crianças como nossas adversárias.

Dizem: as crianças fazem birras, as crianças são mal comportadas. As crianças só sabem chatear. Nos desafiam, nos testam, desarrumam tudo. Querem nos deixar loucos!

Isso não é verdade.

Mas, no fundo, acreditamos nisto – a agimos sobre esta premissa diariamente – de tal forma que se torna mais do que óbvio – e incompreensível que haja alguém que não o faça – que tenhamos de puni-las, de afastá-las, de deixá-las sozinhas quando não correspondem aos comportamentos esperados, quando se exaltam ou perdem o controle das suas emoções por alguma razão.

Acreditamos que estão mal-educadas, que estão faltando com o respeito, quando na realidade, lhes estamos passando a mensagem de que não têm direito a exprimir as suas emoções negativas. Devíamos nós aprender (muitas vezes são os pais que deviam ir para escola!) a lhes ensinar pacientemente e generosamente como exprimir essas emoções. Desde cedo.

Da minha pesquisa e da minha experiência pessoal e profissional, as crianças não fazem birras. As crianças não se portam mal.

6bb0a63b13ac1b9b46f72c31e6c4bdaeAs crianças são crianças. O que nós esquecemos foi que quisemos ter filhos!

As crianças manifestam as necessidades, vontades, medos, cansaço  e sentimentos gigantes que têm da melhor forma que sabem e podem. Passam por emoções que nem imaginamos, vivem e assistem a situações que muitas vezes não sabem – nem conseguem – processar. Isso não faz delas mal comportadas, chatas, birrentas ou bebês. Isso faz delas pessoas (pequenas) num mundo tantas vezes assustador.

O mundo é feito de pessoas e se as pessoas que têm o privilégio de formar pessoas mais pequenas souberem formar e educar de uma forma pacífica, gentil, ensinando desde a primeira infância os limites de forma empática, conectando-se e ligando-se às suas crianças de forma generosa, compreensiva nos momentos mais difíceis, serão adolescentes e mais tarde adultos assim que teremos.

E será esse o mundo que estaremos criando. Quer acreditemos nisso quer não. A responsabilidade é nossa.

É uma questão cultural que tem passado de geração em geração que nos tem ensinado – e feito crer dogmaticamente – que a única forma de educar pessoas responsáveis, cumpridoras e bem sucedidas é sendo pais e professores exigentes, inflexíveis e firmes.

Como se isso fosse o mandamento mais imperativo. Não é.

O mandamento mais imperativo a ter em atenção na formação do ser humano é a formação saudável das emoções. Dos vinte anos que trabalhei com crianças, não encontrei uma – uma única! – que conseguisse bons resultados na escola quando as suas emoções estavam desreguladas, destruídas até, em alguns casos. Muitos.

587ecf8a81aafd23f69836c64b46591bAs crianças constroem a sua auto-imagem através dos inputs implementados desde o nascimento, pelos adultos. São as emoções dos adultos, em primeiro lugar – os estados de espírito, as frustrações, a sua própria auto-imagem, os seus traumas, as suas crenças, – que lideram a forma como estes interagem com as crianças, a forma como lidam com elas, como as tratam.

Aprendemos que as crianças nos desafiam, que querem controlar e ter tudo à sua maneira. Nós acreditamos nisto e as nossas relações com os nossos filhos sofrem com isto. Aprendemos que temos de controlar as suas birras e que é obrigatório nos zangarmos quando não correspondem às nossas expectativas, chegando até a magoar o seu corpo e ferir a sua alma para marcar a nossa posição de poder.

Aprendemos a criticar as crianças, a julga-las, a castigá-las, em vez de  escutá-las, compreendê-las  – mesmo que a situação nos desconforte –  de aceitá-las. Nos esquecemos de que educar é passar um legado diário de amor, de compreensão, de motivação positiva, de empatia sob todas as suas formas, em todos os momentos, em especial aqueles que são mais difíceis de gerir pela criança ou pelo adolescente.

E aqui cometemos um grave engano.

Confundimos educação com imposição de autoridade, julgamos que temos de ser reis absolutistas no nosso castelo e que as crianças têm de ser submissas às nossas vontades, ordens e desejos, descurando-nos de negociar em vez de exigir aquilo que elas não nos podem dar, esquecendo-nos de ser tolerantes em vez de criticar, esquecendo-nos de ensiná-las  – liderando pelo exemplo e não pela imposição-  tendo em conta o seu funcionamento natural e orgânico, neurológico, físico e emocional.

Se esses factores não são respeitados, não é responsabilidade da criança. É de quem é responsável pelo seu percurso educativo. Seja em casa ou na escola.

2016-02-15_1654Toda a aprendizagem deve ser feita de forma orgânica e natural. Não imposta. Não coerciva. Uma família de seis filhos ou uma turma de vinte alunos, terá o número de personalidades, necessidades, carências e potencialidades em proporção ao número de crianças que aí existirem. E todas têm valor. Todas têm potencial. Cabe ao adulto estimulá-las e motivá-las de forma positiva. E não uma vez. Em todos os momentos. Um educador, seja um pai, uma mãe, um avô, uma avó, um professor, educador infantil ou auxiliar educativo, deve ser, acima de tudo, um mentor.

As crianças e os adolescentes são pequenos humanos que fazem o seu melhor com o que têm, que só querem ser amadas e respeitadas pelo que são, sentir-se seguras, protegidas, façam o que fizerem, digam o que disserem.

Quando aprendermos isto e agirmos sobre isto, deixará de haver lugar para gritos, rótulos, vergonha, castigos e todos construiremos uma relação melhor e mais forte com os nossos filhos.

Como afirma Rebecca Eanes, as crianças não são nossas adversárias. Elas são a nossa maior dádiva. Tratemo-las como tal.

Por M.J.Silva para Up To Kids®
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“Estimular os bebês é um equívoco”

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Paulo Fochi, coordenador e professor do curso de Especialização em Educação Infantil da Unisinos, no Rio Grande do Sul em texto publicado na edição impressa Gazeta do Povo de 01 de dezembro de 2013 (Foto: MommyShorts)

Os bebês não precisam de estímulos constantes. São curiosos por natureza e, para que se desenvolvam em plenitude, ações simples, como providenciar um ambiente seguro são suficientes. O pedagogo e educador Paulo Fochi é categórico ao criticar modismos na educação infantil. Para ele, o maior desafio é planejar a educação infantil a partir das necessidades dos bebês. A produção de conhecimento tem de ser feita de uma forma que tenha sentido para a criança. Há uma tendência atual muito forte para estimular bebês e isso é um equívoco do meu ponto de vista.”

No início de novembro, Fo­chi conquistou a plateia formada por educadores no 7.º Seminário Municipal de Edu­cação Infantil, em Curitiba, com sua visão sobre o tema. Por telefone, ele conversou com a Gazeta do Povo:

Qual é o maior problema que observa na educação infantil?

Compartilho com os estudos que indicam que o grande desafio para a educação infantil, para as crianças de zero a 6 anos, está em descobrir como é ser professor sem dar aula, presente também nas Diretrizes Curriculares Nacionais. Mas é preciso atentar que isso não significa deixar a coisa acontecer espontaneamente. A produção de conhecimento tem de ser feita de uma forma que tenha sentido para a criança. Há uma tendência atual muito forte para estimular bebês e isso é um equívoco do meu ponto de vista.

Quais estímulos são equivocados?

Você já deve ter visto diversas coisas do tipo: o adulto coloca o bebê de barriga para baixo para que seu corpo fique firme para quando for caminhar. Há uma ação para fazer o bebê caminhar mais cedo. Misteriosamente, depois que ele caminha, os pais querem que ele fique sentado, parado, em um cadeirão. O mesmo acontece com falar. Já vi professoras passando batom vermelho na boca e falando, com a boca bem aberta, de forma exagerada, na frente do bebê, com a intenção de estimular a fala. Mas, quando ele começa a falar demais, os adultos pedem para ficar quieto. Há uma esquizofrenia em casa e na escola. Dão carrinhos, coisa com som, que fala, que pisca, para que, dois ou três anos depois, seja necessário procurar um médico para perguntar: como posso acalmar meu filho? E aí o médico receita medicamentos. Tenho uma premissa que a gente tem que dar tempo para o bebê ser bebê. Cada fase deve ser respeitada. Há uma tendência de se criar academia para bebês ou sites que estimulam o ensino de Matemática quando ele ainda está em gestação. Estão criando agenda, aula disso, daquilo. Está entendendo a loucura?

Quais são as particularidades dos bebês?

As descobertas do mundo que o bebê faz em um mês valem uma década na vida de um adulto. O adulto não precisa ficar na frente da criança sacudindo um chocalho freneticamente ou falando de forma abestada. O bebê é curioso para descobrir o mundo, basta dar condições para que descubra. Isso implica que ele fique no chão, não naqueles balanços horríveis. Não precisa estimular, basta garantir formas de ele fazer isso, proporcionar o que se chama de entorno positivo. O espaço que ele fica, em sala, ou em casa, não deve ser grande, nem pequeno demais, mas suficiente para circular. Tem que ser seguro, sem a necessidade de um adulto em volta, falando: não faz isso’, não faz aquilo. O adulto deve se manter no campo visual e auditivo da criança, sustentando-a emocionalmente com sua presença, mas sem interromper ou intervir nas experiências dela. É preciso ter desafios para a criança, aos quais ela se dedicará quando aquilo se configurar como um desafio.

Como por exemplo…

Uma caixa no meio da sala, que faz um degrau. O bebê vai subir e descer engatinhando, quando estiver pronto para aquilo. Isso promove a descoberta de seu corpo, que vai providenciar uma organização para executar a ação de caminhar. O entorno positivo exige materiais adequados. Que encaixam, que dão para empilhar, que cabem um dentro do outro. Não precisa ser da Fisher Price ou outra marca famosa. Caixas, potes. Isso dá possibilidade de a criança descobrir o mundo.

Como convencer os pais que não é preciso tantos estímulos para os bebês terem um bom desenvolvimento?

Na verdade, os pais estão no direito de ignorância deles sobre o assunto. O que a gente precisa é de professores que tenham um argumento melhor que a Ana Maria Braga, entende o que digo? Os pais têm direito de achar interessante aquilo que a Ana Maria Braga mostrou para o neto dela, aquilo que a Adriane Galisteu fez para o filho dela, essas modinhas que aparecem no Facebook e na televisão. Quem tem que mostrar que isso não é benefício é a escola, o professor. Pensar o processo educativo nos primeiros anos de vida tem que ser processo de corresponsabilidade família e escola. Isso implica chamar os pais para o diálogo e mostrar o que é aprender na infância, qual o valor da experiência de vida dessas crianças.

O ensino em período integral é benéfico para a criança?

Se a escola for boa para a criança, sim. O ideal seria ficar um turno com a família, outro na escola. Mas as famílias não se organizam assim, a rotina de trabalho dos pais não é essa, independentemente se são ricas ou pobres. Então temos que pensar, nesse tempo em que as crianças estão na escola, 10, 12 horas, é preciso construir um processo educativo de qualidade. Não são dois turnos de trabalho, é outra relação. É preciso compreender que a experiência educativa, aprender a comer, o ritual do sono, o deslocar pela escola é uma grande aprendizagem, tem que ser pensada ao longo da jornada. Depois, os pais precisam refletir como será o tempo que passarão com os filhos, que não pode ser mediado pela televisão. Que seja de encontro, conversa, carinho.

Qual a maior dificuldade para termos o ensino infantil integral de qualidade?

Há um desafio financeiro, mas vai além disso. É um desafio conceitual. Precisamos mobilizar os gestores públicos para compreenderem o que é infância, o que é ser criança, numa fase anterior a essa proposta de financiamento, até para que o financiamento se dê de forma correta.

É possível trabalhar perto do seu bebê?

49e3824bda63a5398dfdcac28854d1d5Nossa sociedade nos diz o tempo todo que trabalho e maternidade não se misturam. Mulheres que precisam se ausentar do trabalho porque o filho está doente são censuradas. Em entrevistas de emprego nos perguntam sobre nossa vontade futura de ter filhos (como assim?!). E muitos reclamam da licença maternidade de quatro meses, falando sobre os prejuízos da contratação de mulheres. Triste retrato de um país atrasado como o nosso.

Num coworking materno vemos como trabalhar próximo do bebê faz bem para ele, otimiza a rotina da mãe, traz economia financeira para a família e aumenta a produtividade no trabalho. Estar perto traz tranquilidade para os dois, o que possibilita crescimento para ambos – o bebê se desenvolve melhor e a mãe cresce profissionalmente. Sim, é possível.

E se as empresas aderissem a esta ideia e montassem coworkings maternos em suas estruturas?

c182946d8aec7897d6533c194d0db77dNos EUA mais de 170 empresas já autorizam funcionários a levarem filhos para o trabalho (BBC-londres/Estadão)

Ter coworkings maternos dentro das empresas não é a mesma coisa do que ter creches…num coworking a mãe tem proximidade e livre acesso, mesmo contando com cuidadoras. A própria mãe estabelece a rotina do bebê e conjuga isso com seus horários de trabalho.

É um olhar inteligente sobre o trabalho e a maternidade. A mãe tem condições plenas de escolher seus horários, fazendo uma balança positiva entre as necessidades do filho, seus objetivos profissionais e sua produtividade.

Sabemos que estamos bastante longe disso, mas quem sabe o Mamaworking seja a semente?! Porque aqui vemos como este formato é viável, prático e feliz!! Que o digam nossas mães e bebês… 

 

Como estar mais presente no dia-dia do seu bebê?

Sabemos que todas as mães gostariam de ficar mais tempo com seus bebês, mas que seus trabalhos também são importantes (ou até mesmo essenciais para renda familiar). Além disso, as empresas são bastante inflexíveis e exigem bastante das mulheres, mães ou não.

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Mesmo trabalhando, a atenção com os primeiros mil dias do bebê é essencial. E é possível estar mais “presente” em vários momentos de desenvolvimento.

Segundo a pediatra Luciana Herrero, nestes primeiros mil dias, “receber amor e atenção contribui para o desenvolvimento neurológico e também para a imunidade do bebê”.

Assista o vídeo que fala sobre a importância deste período e leia as dicas para estar mais “presente” e FELIZ AO LADO DO SEU AMADO BEBÊ!!

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Dicas de presença:

  1. BRINCAR COM O BEBÊ: sentar no chão e brincar com o seu bebê é mais importante do que você imagina. Além de estimular a criatividade e o desenvolvimento cognitivo, as brincadeiras promovem a interação da família, de modo que a criança se sinta mais segura e amada. E não pense que isso inclui colocar o pequeno em frente a uma televisão – esse tipo de atividade apenas distrai. Brinquedos e atividades simples já dão conta do recado – e são muito mais divertidos!
  2. ALIMENTAR E DAR COLINHO: com certeza, além de prazeroso, amamentar acalma mãe e bebê. Nada mais gostoso que um colinho com mamá! Alimentar seu bebê com papinhas também pode ser um momento especial – mas é preciso relaxar e lembrar que comer deve ser “gostoso”!!
  3. APROVEITAR A HORA DO SONINHO: à noite, mesmo cansada, a mãe pode “fazer o bebê dormir” curtindo cada etapa deste momento – dando um banho relaxante, fazendo uma massagem gostosa no bebê, cantando uma cantiga de ninar ou deitando numa superfície macia fazendo brincadeiras suaves;
  4. FALAR COM O BEBÊ: falar com o bebê durante seus cuidados diários vai estabelecendo uma relação de intimidade, confiança e amor. Deixar o bebê responder com seus balbucios também é muito importante. Além disso, a comunicação não implica apenas na fala. Inclui o tato (pegar, acariciar, beijar, etc.) e a expressão oral (gestos, contacto visual, etc.). Estender os braços para o seu filho ou sorrir para ele, beijá-lo…são formas de se comunicar e conectar.
  5. ESTAR COM ELE EM CASA: aproveitar os finais de semana para “não sair de casa” e curtir seu bebê só para papai e mamãe. Muitas vezes, nos passeios em shoppings, casa de amigos e restaurantes, acabamos ficando pouco com o bebê; a dica aqui é curtir sua casa em paz!

Mães, sabemos que na correria do dia a dia, muitos momentos passam batido, que estamos cansadas e que até perdemos a calma…mas lembre-se que tudo passa rápido e que o melhor é relaxar e curtir mais.

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Família é garantia de “amor e compreensão”?

3488fecaa7074e6c66ed77f48b965ef6A família é a melhor organização afetiva? O que é família afinal? Quais são nossas reais expectativas e sentimentos? Por que, depois que nossos filhos nascem, parece que este ambiente se torna mais hostil e cheio de decepções? Este texto da psicanalista Laura Gutman vai mudar sua percepção de família e vai fazer você rever seu papel nesta construção!

Texto “A família nuclear” de Laura Gutman:

Namoramos e depois nos casamos quando sentimos uma forte atração sexual e afinidade um com o outro. Quando isso acontece, nós interpretamos que “este” é o amor. E com base “neste” amor, montamos nossos projetos familiares. Então, mais tarde, as crianças nascem.

Em seguida, os pais direcionam para eles toda sua capacidade de “doadores”. Nesta época, surgem as nossas limitações e nosso pouco hábito de estar a serviço dos outros, de nos dedicarmos e cuidarmos integralmente de outro ser (mesmo que sejam nossos filhos). Por isso, exigimos do nosso parceiro resolver os nossos problemas, e que seja alguém diferente do que realmente é.

O que fazer? Em primeiro lugar, entender que montamos uma família, mas que a própria família não é garantia de amor e compreensão. A chegada dos filhos pode ter sido planejada. Mas, se nós não conversamos honestamente sobre o que cada um pode oferecer em favor de outro, a rotina pode ser muito difícil de suportar. Além disso, vamos ser sinceros e perceber que, em nome do amor, temos a intenção de manter um sistema familiar em que devemos amar, mas na verdade, muitas vezes, estamos exaustos, com raiva e decepção. Nós acabamos respondendo aos comandos do que “deveria ser”, mas não do que é (de verdade). Nós aumentamos as demandas e expectativas em cima do nosso(a) parceiro(a), supondo que uma única pessoa pode encher a imensidade de buracos emocionais arrasta desde os tempos antigos (muitas vezes desde a nossa infância). Nós também acreditamos que o cuidado e atenção que as crianças exigem, devem ser cobertos pelo nosso parceiro no âmbito das modalidades que nós fantasiamos que estão corretos. Enfim, tudo isso é um grande mal-entendido. Porque temos a intenção de sustentar uma família, com base em uma ilusão coletiva, em lugar de nos perguntarmos – cada um para si – “com quem queremos compartilhar a vida e de que modo?”.

Há muitas maneiras possíveis de viver a vida. E todos são bons, enquanto eles estão alinhados com o coração de cada indivíduo e de acordo com as expectativas do outro. As dificuldades surgem quando permanecemos bloqueados em modalidades repressivas de convivência, apostando que dentro da família tem que se mover toda a energia-econômica, sexual, afectiva- em vez de ser honestos com nós mesmos.

A família nuclear: pai, mãe e filhos – pode ser boa o suficiente para produzir e acumular dinheiro e trazer segurança. Mas não é tão favorável para a troca afetiva, especialmente quando se torna uma prisão emocional cheio de proibições. A família nuclear não é em si boa ou ruim. É um tipo de organização possível. Mas se nós não estamos satisfeitos, nos sentimos infelizes ou se algum membro de nossa família expressa desacordo, vale a pena rever todos os acordos. Não há necessidade de haver uma certa maneira de viver. Pode existir um convívio em qualquer formato, desde que seja favorável para todos.

Por acaso devemos romper a família? Divórcio? Ir embora? Não necessariamente. A família é um campo de projeção. Tudo o que acontece, pertence a nós e temos contribuído para que se manifestasse. Assim, a infelicidade ou sofrimento nos permite rever o que temos construído, qual o nível de maturidade com que temos enfrentado as nossa ligações afetivas, que quota de liberdade assumimos e o que podemos fazer a partir de agora.

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LAURA GUTMAN tem graduação em Paris, em Psicopedagogia Clínica e mais tarde  especializou-se em temas de família. De orientação junguiana, formou-se com a renomada psicanalista Francoise Dolto.

Mães que trabalham: empatia é a chave da conexão com seu filho!

2015-11-30_11332Desde o começo deste post queremos já deixar claro que somos as maiores defensoras das mães que trabalham, por sua independência e conquistas femininas. E que no intuito de ajudá-las a administrar este tempo raro com seus filhos é que trazemos a questão a seguir.

Segundo o pediatra José Martins Filho, autor do livro “Criança Terceirizada”, existem muitos prejuízos causados pela ausência dos pais na educação dos filhos.

Para o autor, a questão da “ausência” se relaciona ao distanciamento afetivo dos pais com seu filho – como se existisse uma falta de conexão com a criança. O que não quer dizer que seja somente por falta de tempo ou porque a mãe e pai trabalham fora.

Segundo o autor, um indício deste distanciamento seria de “pais que reclamam muito da criança e demonstram total impaciência. Alguns chegam a dizer que o bebê é um “chato”. Para o pediatra “O problema não é o filho. São os pais, que não estão sabendo corresponder ao seu papel.”

Estes relatos do pediatra são de certa forma chocantes para mães que precisam trabalhar o dia todo, pois parece que não existe solução. 

Mas percebemos que muitas mães que trabalham encontram tempo para ouvir as histórias do pequeno, para dar colo, para brincar e participam ativamente da vida deles. Esta conexão profunda entre mãe e filho acontece não tanto “pelo o quê se faz” mas sim através da EMPATIA. 

A empatia é a resposta afetiva à situação de outra pessoa (e não à própria situação). Ou seja, algumas mães buscam intensamente compreender seus filhos, entender seu choro, suas necessidades de apego, sua personalidade e a situação vivida por ele no seu dia a dia. E isso faz com que – mesmo com pouco tempo – exista uma conexão afetiva profunda que se construa entre mãe e filho.

O assunto não se encerra aqui. Nosso dia a dia é feito de muitos problemas e uma administração difícil do cotidiano, trabalho e estresse. Mas vale uma tentativa e reflexão para podermos ser mães melhores. Por eles e por nós!

 

O berçário dentro do escritório: bom para mãe, bom para o bebê.

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As mães sempre quiseram o melhor para seus filhos e a busca pelo berçário faz parte das escolhas importantes para o bem estar deles. Mas esta decisão chega a ser angustiante em muitos momentos. Onde colocar seu filho? O que é importante em cada opção? Qual a idade adequada?

Para as mães que são autônomas ou empreendedoras essa dificuldade também existe. Muitas delas deixaram suas carreiras em empresas justamente para passarem mais tempo com seu bebê. Mas a dificuldade em trabalhar em home office torna o berçário uma opção.

O sonho de toda mãe é ter um berçário dentro do próprio escritório: poder amamentar, cuidar nos intervalos, acompanhar o crescimento. Tendo também seus momentos de trabalho reservados enquanto pedagogas cuidam do bebê.

A partir deste sonho que fizemos o Mamaworking. Porque não unir maternidade e trabalho no mesmo ambiente? Conversando com mães, vimos que existia uma grande preocupação com o desenvolvimento dos bebês e crianças. As pesquisas nos mostraram que o mais importante neste desenvolvimento é o vínculo materno. A própria interação com a mãe favorece este crescimento saudável – veja o vídeo do Dr. José Martins Filho.

Mesmo assim, chamamos a Doutora em Educação (UFPR) Andrea Cordeiro para criar nosso Projeto de Desenvolvimento Infantil. Formamos uma Equipe de Pedagogas e montamos uma estrutura que atendesse às preocupações das mães, com espaços adequados de sono, amamentação e brinquedoteca. Tem sido um grande aprendizado ver como a pedagogia e os cuidados maternos somados tranquilizam mãe&filho.

Outra preocupação das mães se referia ao espaço de trabalho. Elas precisariam de silêncio para ter produtividade. Nos disseram que seu tempo precisava ser otimizado ali, justamente para poderem aproveitar mais o tempo com o filho. Por isso, o coworking fica no andar de cima e o berçário no andar de baixo. A lógica foi poder trabalhar “melhor” para fazer mais intervalos em família.

Como somos um espaço compartilhado de trabalho “pago por hora”, as mães podem vir alguns dias por semana somente e escolherem quantas horas por mês precisam desta estrutura. Vemos que mães e pais se organizam entre períodos que ficam em casa com seus filhos e outros em que usam o Mamaworking para trabalhar mais focados. O mais bacana tem sido perceber que cada mãe ou família tem seu ritmo e encontra equilíbrio entre trabalho e maternidade.

Nosso primeiro sonho foi o Mamaworking. Mas sonhamos que no futuro toda empresa tenha seu espaço de coworking materno, com mães trabalhando ao lado dos seus bebês, integrando trabalho e maternidade. Porque este equilíbrio é possível!

7 Dicas para Mães Curtirem as Férias Escolares!

2015-11-03_1155Quando eu era criança nunca entendi o desespero da minha mãe nas nossas férias… Poxa vida, eram férias e ela não estava feliz?! Hoje, claro, eu  entendo bem. O ano todo correndo, trabalhando e cuidando dos filhos e quando chegam as tais férias escolares ainda continuamos trabalhando… e cuidando dos filhos. E ainda com a complicação das escolas fechadas.

Mas também não precisamos arrancar os cabelos e tornar este período mais cansativo do que já é. Por isso, preparamos uma lista de Dicas pra Época de Férias Escolares – para pais não enlouquecerem!! Nem filhos padecerem!!

O que fazer neste período feliz para as crianças e complexo para os pais?

  1. BAIXAR A ADRENALINA – ao invés de deixar o stress invadir sua vida no final do ano, querendo fazer tudo que ficou para trás, lembre-se que trocar de ano só quer dizer que trocamos de calendário.
  2. CURTIR OS ÚLTIMOS MESES – já que você trabalhou e correu tanto o ano todo, quem sabe mudar de vibração e aproveitar os últimos meses? Relaxe, vá ao parque, visite amigos.
  3. APROVEITAR AS NOITES EM FAMÍLIA – já que seus filhos vão para Colônia de Férias e você vai estar trabalhando, torne suas noites em família mais gostosas – desligue a TV, leiam, brinquem, joguem.
  4. MUDAR JÁ – aproveite também o período para repensar. O que vc fez neste ano? O que quer mudar? E não espere até ano que vem…
  5. BRINCAR PARA SE CONECTAR – às vezes deixamos todos os momentos com os filhos para nossas férias, mas o tempo passa e o momento é “agora”. Se durante o ano não deu tempo, aproveite para brincar HOJE.
  6. CRIANÇAS TBÉM PRECISAM RELAXAR – Não adianta as crianças estarem de férias e se encherem de “atividades”, desconfie das colônias que parecem escolas… esta é a época de não fazer nada, de brincar, de relaxar. Crianças também precisam de férias. Se puder, deixe elas com familiares, avós, irmãos. Assim, de noite, seus filhos estarão mais calmos e vocês poderão curtir mais juntos.
  7. SIMPLIFICAR AS TAREFAS DE FIM DE ANO – amigo secreto na família e ceia simplificada ajudam a manter o clima leve das festividades, afinal de contas importa é estar tranquila, feliz e poder curtir o momento.

Mães precisam de paz e alegria para poderem aproveitar as férias dos filhos, mesmo estando trabalhando. Mantenha a serenidade, curta o fim de ano e lembre-se de que seus filhos são seu maior presente!!