“Minha Nova Vida” – Relato de Moema Zuccherelli (Lide Multimídia)

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Sou a caçula de quatro filhas mulheres. Cresci e vivi numa casa onde as mulheres sempre foram muito independentes. Meu pai – o único homem da casa – era extremamente liberal e moderno para o seu tempo. Sempre nos ensinou que tínhamos que exercer a profissão que quiséssemos, desde que com muita dedicação e responsabilidade. Nunca ouvimos falar, dentro de casa, que devíamos casar, ou ter filhos, ou ter que aceitar qualquer relacionamento. Pelo contrário: eu e minhas irmãs sempre fomos muito críticas em relação a qualquer tipo de imposição e/ou preconceito. Sempre fomos muito felizes desta forma. Escolhemos nossas carreiras, viajamos muito pelo mundo, conhecemos inúmeras pessoas nessas aventuras… Nós todas começamos a trabalhar muito cedo para termos, também, nossa independência financeira. Vivíamos muito o presente. Mas, aos meus 37 anos resolvi ser mãe. Eu achava que era a hora certa para isso. E, mesmo sem procurar o parceiro ideal, acabei engravidando e assumindo a maternidade, numa boa. De forma serena e bem resolvida. Tive uma gravidez tranquila. Recebi apoio de amigos e familiares. Já no terceiro mês de gestação, tive certeza que o meu bebê era uma menina, mesmo antes de saber o sexo dela pela ecografia. Ela já se chamava Sofia. E nasceu em 5 de julho de 2000, o dia mais frio daquele ano. Dali em diante, a minha vida mudou. Pra melhor!! Muito melhor. Li diversos livros para aprender a lidar com uma criança, em diferentes fases. Fiz tapeçaria para passar o tempo enquanto a barriga crescia. De repente, quando vi, lá estava aquele bebezinho bochechudo, frágil e totalmente dependente de mim. Até no mapa astral dela, que ganhei de presente, feito uma semana depois do nascimento dela, pude ver nossa dependência mútua. Por ser tão pequena, parte do mapa astral da Sofia era baseado no meu. Senti que nossa vida ia ser plena de alegrias. Aprendi a dar banho, trocar fraldas, amamentar, reconhecer os choros e os risos, preparar papinhas, administrar homeopatia nela, estimular os sentidos delas, ler diariamente pra ela, dormir ao lado dela, beijar, afagar e massagear. Nosso vínculo era e ainda é imenso. Ela, certamente, seria filha única. E eu, me tornei mãe e pai ao mesmo tempo. Confesso que ela me fez uma pessoa melhor. Não em termos de caráter ou ética, que permaneceram os mesmos. Mas acho que com ela, aprendi a dar e receber atenção, o tempo todo. O amor que sentimos uma pela outra é imenso. E o respeito também. A Sofia me fez pensar no futuro. Senti que tinha a “obrigação” de sobreviver para garantir a sobrevivência dela. E a nossa vida foi melhorando. Não me lembro de nenhum episódio de desespero ou drama durante o crescimento da minha menina. Levamos a vida numa boa! Hoje, ela está com 15 anos, saudável, inteligente, sempre cheia de novidades para me contar e de amigos para confidenciar. Sim, ela já passou pela pré-adolescência. Já beijou, já coloriu o cabelo de pink, de roxo, de azul e de platinum. Hoje, ela tem dreads. Usa piercing (por que não?) e quer fazer tatuagem (só aos 18). Lê e escreve muito bem. Fala 3 idiomas e toca 3 instrumentos. É socialista, feminista, adora a família e a raça negra. É a minha Sofia.

Moema Zuccherelli, Relações Públicas, 53 anos.

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