“minha nova vida” – relato de Renata L. Rocha

Muitas histórias de mães chegam aos nossos ouvidos no Mamaworking. Algumas são simplesmente incríveis. Elas nos fazem pensar nas mudanças profundas que ocorrem na vida de toda mulher ao ter filhos. São histórias de força, coragem e amor, que calam fundo na gente. Talvez porque funcionam como espelhos, em que todas nós reconhecemos algo da nossa própria experiência de ser mãe. Neste episódio da série “Minha nova vida”, a história de Renata L. Rocha e Mariana (hoje com 4 anos).
Cover_Dep_Renata(foto de Julie Asdurian)

Sempre quis ser mãe. Desde adolescente tinha certeza disso. Quando cheguei aos 38 anos e me vi solteira, sem um companheiro e sem filhos, pensei: está na hora de tomar uma decisão com relação à maternidade.

O relógio biológico já falava alto. Tomei a decisão mais importante da minha vida: eu ia ser mãe, faria uma produção independente.

Mariana chegou numa manhã de domingo. Não consegui dormir na noite antes do parto. Milhões de questões passavam pela minha cabeça. Eu tinha medo. Medo de não saber, medo de não ser, medo de não ter tudo o que ela pudesse precisar. Mas todos esses sentimentos ficaram pequenos assim que a coloquei no meu colo. Ela estava ali, perfeita, cheia de saúde e totalmente dependente de mim. Me tornei mãe naquele exato instante, quando me dei conta de que passamos a ser duas, e que tínhamos novas estórias pra construir. Estórias nutridas pelo amor e pela confiança.

Construímos uma família: eu e a Mari.

Assim que fiz as adaptações para um recém-nascido em casa, começaram as descobertas da Renata mãe e da Mariana filha. Tivemos que nos conhecer profundamente, aprender a traduzir olhares, choros, sorrisos. A cumplicidade surgiu de forma natural. Mari me fez parar pra pensar na vida que eu queria para nós duas, no que eu vinha fazendo de certo e de errado. Ser mãe é tentar, diariamente, ser uma pessoa melhor. Hoje melhor do que ontem e assim por diante.

Mariana hoje está com quase 4 anos. Ela me confronta com argumentos coerentes que me derrubam. E me ensina algo novo todo dia, me desafia, me faz parar pra pensar. Mari me faz rir e me faz chorar. É meu motivo maior para sair da cama todos os dias. É ela quem me dá forças pra enfrentar as dificuldades. Por ela viro uma leoa, mas também um cordeirinho (ela encanta a todos, é uma criatura doce, amada).

Minha vida mudou totalmente depois da chegada da Mari. O peso das coisas mudaram, e como!

Fui mãe aos 39 anos e acho que foi na hora certa. Na minha hora certa, porque cada um tem a sua. Não estava pronta antes disso. Não estava pronta pra dar , nem pra receber todo o amor envolvido nesta relação. Abri mão de coisas que antes eram “imperdíveis” e que hoje considero “dispensáveis”. O amor deixou de ser uma questão e passou a ser uma certeza.

Sobre aqueles medos de que falei no começo, sim, eles obviamente ainda me assombram. Ser Mãe não nos transforma em Polianas. Continuo com medo de não saber, com medo de não ser e com medo de não poder oferecer tudo o que ela precisar, mas hoje tenho a certeza de que posso dizer pra ela que não sei, que não sou e que não posso dar tudo o que ela precisa, sem medo das consequências disso. Ela me tornou uma pessoa mais forte, mais corajosa: uma Mãe.

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One thought on ““minha nova vida” – relato de Renata L. Rocha

  1. Me identifico com o sentimento da Renata, ser mãe nos transforma em outra pessoa. Embora minha experiência tenha sido diferente, gostaria de compartilhá-la:

    Tudo começa quando você pensa em engravidar, o primeiro passo para a maior mudança de sua vida foi tomado. Você será mãe pela vida inteira. Não sei se com vocês foi assim, mas um dia antes de ser mãe pela primeira vez uma estranha angústia tomou conta de mim. Não que eu estivesse triste, pelo contrário, estava muito feliz e ansiosa pela chegada dele, não via a hora de conhecer seu rostinho e de tê-lo no colo, mas enquanto pensava nisso, pensava também que a partir daquele dia eu teria alguém que dependeria de mim. Eu que até então só me preocupava em manter as contas em dias, agora teria uma grande responsabilidade: cuidar de um bebê.

    Naquela noite, antes de ir para a maternidade, dormi na casa da minha mãe. Por nove meses eu era o foco das atenções e cuidados. Arrumei os cabelos, chequei as coisinhas do bebê e as minhas, revi cada detalhe tendo a certeza de que tudo estava sob controle. Tudo, menos a minha cabeça.

    No quarto escuro, iluminado apenas pelos reflexos das luzes dos carros que passavam pela rua durante a madrugada, tentava em vão dormir. Aquela seria a minha última noite antes de ser mãe, a última em que poderia dormir uma noite inteira sem interrupções. Fiquei pensando que no dia seguinte, naquele mesmo horário, estaria com ele nos braços. Será que ele dormiria bem? Será que teria cólicas? Será que conseguiria mamar?

    Depois de todos esses pensamentos, consegui enfim dormir por algumas horas e acordei mais ansiosa do que nunca. Dali a instantes, minha grande e larga barriga, companheira por tantos meses sumiria e os movimentos bruscos que tanto me faziam sorrir e emocionar deixariam de existir em breve.

    Com todos prontos, a família e os amigos na expectativa, seguimos para a maternidade. Como não consegui o parto normal, tudo estava preparado esperando por mim. O caminho que levava da recepção ao pré-parto parecia um ritual, minha mãe, meu pai e o marido me acompanhavam, até o momento em que tive que ultrapassar uma porta de vidro e deixá-los para trás. Tentei ser forte e fazer de conta que tudo estava bem, mas a verdade é que o choro ficou entalado na garganta e dessa vez já não conseguia esconder o medo expressado em meu rosto.

    Já havíamos combinado de que meu marido assistiria ao parto e por isso me sentia mais tranquila, mas quando chegamos na porta de vidro ele foi impedido de entrar. Informaram que ele só poderia entrar depois da anestesia, aquele foi o pior momento de todos, me senti só, nervosa, a ansiedade aumentando, o medo…

    Uma técnica de enfermagem que pouco falava e que mais parecia arrumar a própria casa me preparava para entrar no centro cirúrgico. Minutos depois, deitada na cama já com um escalpe na veia, chegou outra parturiente tão nervosa quanto eu. Tive que deixá-la ainda mais sozinha porque nessa hora me levaram.

    Enfim chegaria o momento tão esperado. Após a tão temida anestesia meu marido chegava e me tranquilizava com seu olhar de companheiro e cuidadoso. Sua presença ali me dava segurança e paz. Me fazia sentir que não estava sozinha naquela hora e nem nas outras que estariam por vir dali por diante.

    Segurar a minha mão era muito mais do que dizer estou aqui, era dizer também estou aqui por todos os dias dessa longa estrada que percorreremos: o cuidado, as noites sem dormir, as fraldas sujas, o soluço, a espera do arroto também serão minhas.

    Passados os dias na maternidade, em que todos querem conhecer o bebê, veio a volta pra casa e pro início de uma inédita rotina. Cheguei à casa da minha mãe e tudo cheirava a limpo e arrumado no quarto, passei ali alguns minutos sozinha com vontade de chorar olhando aquele cenário. O que seria de mim agora? E se eu não conseguir cuidar do bebê? O ritmo agora era outro, não mais o meu, mas o de alguém que chegou pra me avisar que de agora em diante nunca mais seria o mesmo.

    Nas primeiras madrugadas de amamentação ficava pensando nas mulheres que estavam passando pela mesma situação e que não tinham ali do lado um companheiro, nem sequer alguém pra apoiá-las nesse momento e pensei na força sobre-humana que temos que fazer para dar conta dessa tão árdua tarefa. Sem dúvida o amor nos move, não há outra explicação. E sem dúvida a presença do companheiro nessa hora nos conforta e nos dá a certeza de que a escolha de ser mãe não deve ser só nossa e do quanto é precioso o cuidado compartilhado.

    Quanto ao medo, ele deixou de existir um pouquinho, mas de vez em quando aparece em doses homeopáticas, afinal, serei mãe a vida inteira ♥

    https://detodomeucoracao.wordpress.com/2015/06/19/sentimentos-de-uma-mae-que-esta-a-esperar/

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