O TEMPO DE QUALIDADE E A QUALIDADE DAS PEDRAS

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“Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.” Manoel de Barros

Na caminhada de TimTim, uma jornada de pequenas descobertas. Seus olhos, que desvendam diariamente o universo de duas quadras, compõem um mundo feito de muitos pedaços: pedrinhas, bichinhos, pessoas. Um mosaico de sentidos que precisa de muito cuidado em sua composição. E muito tempo. A mãe de TimTim o acompanha: atenta ao que o menininho busca ver, tocar e sentir, descobre que o cimento da calçada esconde um tesouro que só olhos muitos sábios podem encontrar. Descobre que o tempo e o espaço, esses que medimos em minutos e metros, são uma invenção de nós adultos, que aprendemos com tanta (d)eficiência a estreitar o presente para chegar mais rápido no futuro. Mas o presente é só o que existe, nos ensina TimTim. O presente é o que nos é dado, e nele descobrimos as pedrinhas do tesouro.

Nessa quinta-feira, numa noite excepcionalmente linda e amena do inverno Curitibano, aconteceu um encontro muito especial. Numa conversa sobre tempo de qualidade, reuniram-se pais e mães movidos pelo desejo de estar mais próximos de suas crianças. Corações que, tocados pela presença de um filho, são movidos pela intuição de que esse tempo do relógio esconde algo muito mais precioso, algo que nossas crianças nos pedem e nos oferecem: o tempo da relação. Assim como TimTim em sua jornada desvenda encantos, nossos filhos nos querem ao seu lado desvendando os detalhes do dia-a-dia. Detalhes que os revelam para nós, que nos revelam para eles, num exercício de reconhecimento mútuo: encontrar as pedrinhas preciosas do caminho que vão construir a identidade de um relacionamento. A solidez e a segurança de uma presença que serão a base emocional para as ausências necessárias e para os desencontros imprevisíveis.

Mas como conciliar o tempo do relógio com o tempo do coração? E como superar a frustração de não conseguir os “resultados” esperados nos minutinhos que conseguimos “encaixar” na nossa agenda para o tal tempo de qualidade? Talvez o nosso tempo de qualidade não precise ser o da festa, o da produtividade, o do entretenimento. A qualidade do tempo não está nem no que se produz com ele, nem nos minutos que se colecionam em números. Está na intimidade dos momentos cotidianos. Está no olhar nos olhos, na escuta carinhosa, na alegria da brincadeira que acontece simplesmente porque a infância existe. Está em nos encantar com os encantamentos que nossos filhos nos lembram como ter.

E desse encontro, um recado fica aos adultos donos dos nossos minutos: queremos, sim, o tempo de caminhar e observar pedrinhas ao lado dos nossos filhos. Estamos descobrindo, como nos mostrou esse encontro, o valor do tempo do afeto. O tempo como presente. E como direito.

 

O encontro “Como ter tempo de qualidade”, organizado pelo Mãezíssima e Mamaworking, aconteceu em 30 de julho, na livraria Cultura, numa noite de lua imensa. Participaram do encontro Andréa Cordeiro, Adriana Barretta Almeida, Grace Barbosa, e um auditório repleto de crianças brincando e adultos em busca de pedrinhas preciosas.

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