Mães invisíveis

2015-05-20_0931

 

 

 

 

 

 

As mulheres conquistaram o mercado de trabalho, o acesso às universidades, a autonomia financeira. Apesar de parecer natural, sabemos que foi um merecimento histórico tardio. Fomos finalmente reconhecidas neste âmbito bem visível: trabalho e sociedade.

Ao mesmo tempo, longe deste universo empolgante da carreira, de reuniões e promoções que reconhecem nossa “importância”, surge o desejo (consciente ou não) de ser mãe. Este desejo cresce e se transforma numa experiência nova, inquietante e significativa. Mudamos. Com prazer e felizes, mas entre lágrimas e dúvidas, surge uma nova mulher. De repente, desaparecem o mundo social, a autonomia, a liberdade, e então nós desaparecemos como pessoas admiradas e valorizadas.

Amamos nossos filhos, mas perdemos nosso “eu” em meio às fraldas e o leite. Ficamos isoladas em casa e sentimos falta de sermos novamente “alguém”.

O trabalho nos torna visíveis para a sociedade atual. A maternidade nos torna invisíveis. E isso é muito difícil de se enfrentar. Por isso, por motivos que vão além das necessidades econômicas, as mães se apressam a voltar ao trabalho.

De alguma forma, o trabalho nos salva e devolve a identidade perdida. Mães não têm identidade social. Temos que “ser” nossas profissões para existir.  “Somos” enfermeiras, executivas, professoras ou cozinheiras. Em casa, com o bebê nos braços, nos tornamos transparentes.

Cito aqui a frase  de Laura Gutman do Livro “Mulheres visíveis, mães invisíveis”, que inspiraram este texto:

“Por isso achamos que a maternidade e o trabalho são incompatíveis. O desafio está na capacidade de construir uma conexão emocional com a criança e com a totalidade do nosso “eu interior”, sabendo que teremos que reformular nossa identidade tendo como base nossos recursos emocionais”.

Assim, entender que a nossa identidade terá de ser reconstruída, como mães, é o começo do caminho. Um novo olhar deve nos guiar, abrir nossa mente. Devemos experimentar nos conectar com a maternidade que estava adormecida em nós mesmas. Sentir ser mãe e se permitir. Dar uma pausa. E aos poucos buscar soluções para encontrar dentro de nós a conexão o equilíbrio saudável entre a profissional e a mãe.

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3 thoughts on “Mães invisíveis

  1. Lindo texto! Durante muito tempo me senti como se fosse apenas uma sombra, trabalhando arduamente dia e noite, mal conseguia me alimentar e várias noites sem dormir, sem nenhum reconhecimento. E ainda ouvindo comentários estúpidos do tipo “vc não está cansada de ficar em casa sem trabalhar?”… e lá se vão mais de quatro anos, sem conseguir me enquadrar a um novo cenário profissional, sem precisar abandonar meu filho, que ainda é tão dependente de mim.

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    1. Oi Vivian, entendo perfeitamente o que vc diz. Só quem é mãe sabe que não comemos nem dormimos! E o pior parece ser este isolamento de uma sociedade que se esqueceu da importância deste trabalho. Bjs e boa sorte!

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