Conexão mãe-filho: por que ela é tão importante na vida da criança?

 

É natural que desejemos estar perto de quem amamos, de quem nos cuida e atende e que também precisa de nós. É natural (e legítimo) para um bebê ou criança querer estar perto dos pais, querer colo, querer sua companhia no dia a dia. Natural e necessário, pois o afeto e o apego se constroem justamente na partilha dos detalhes cotidianos. Em mil momentos, nos olhares, em gestos banais, nos banhos, nas papinhas, no brincar sem pressa. São as pequenas conversas do dia a dia que constroem a relação com os filhos.

Esta rotina partilhada estrutura a noção de tempo: através da repetição circular dos momentos ao lado da mãe, a criança compreende melhor o que acontece pela manhã, à tarde e à noite.  E, ao mesmo tempo, a rotina com a mãe fortalece a flexibilidade ante os imprevistos e impermanências. É como uma “poupança” para momentos difíceis ou de distância: nestas horas seu filho terá a segurança do vínculo com você.

Devemos lembrar que a primeira infância é uma fase muito curta e é a base emocional de um adulto. É a fase em que seu filho estabelece os padrões afetivos, em que ele aprende sobre o que é o amor e o apego. Por isso é importante estar perto dele.

A proximidade gera um espaço emocional seguro para experimentar e, eventualmente, errar, sob a certeza da aceitação e do acolhimento. É estando perto que podemos ser quem somos e aprender juntos – tanto os pais quanto os filhos. A proximidade possibilita também reconhecer os sinais que seu filho dá sobre as suas necessidades mais prementes. Quem está mais perto dos filhos pode ajudá-los mais, porque identifica os momentos cruciais do desenvolvimento deles.

A primeira infância deixa marcas nas maneiras de aprender e apreender o mundo, e acompanhar este processo revela a você as peculiaridades da inteligência do seu filho e alguns caminhos pelos quais ele sente, filtra e interpreta o mundo.

Por tudo isso, procure construir uma rotina em que, dentro das suas possibilidades, você esteja o máximo possível perto da criança nesta fase tão importante de sua formação. Ela vai crescer através de seu exemplo, vai desenvolver melhor a autonomia e a ética a partir do afeto e dos limites consistentes que a proximidade propicia. Você, é claro, terá que dar bons exemplos, e isso só vai motivá-la a ser uma pessoa cada vez melhor.

Construir boas memórias de infância é o mais precioso presente para o futuro de seu filho. E para o seu. É a base de uma história de vida.

A autora:

Andréa Cordeiro é mãe de Laura (21), Helena (20), Benjamin (5) e experimentou diferentes alternativas para conciliar a vida acadêmica e profissional à criação de seus filhos. Pedagoga e Doutora em Educação pela UFPR, sua tese foi dedicada à História da Infância e das Mulheres na América Latina. Professora e coordenadora pedagógica na Educação Infantil por mais de vinte anos, hoje atua na formação de professores nos cursos de Especialização em Coordenação Pedagógica da UFPR e no curso de graduação em Pedagogia, também da UFPR. É coordenadora do Projeto de Desenvolvimento Infantil do Mamaworking. Criou e coordena o coletivo “Bonequeiras sem Fronteiras”, dedicado ao direito de brincar na infância e acredita no poder do afeto.

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